Como criar a linha editorial e plano de conteúdos

Quantas vezes não estás a fazer scroll no Facebook, Instagram ou LinkedIn e notas que, mesmo que 10 contas falem do mesmo assunto, há sempre alguma com a qual te identificas mais?

Ou quantas vezes não vais mesmo tu procurar por essas contas?

E com o email marketing? Há certas newsletters que lês mesmo e outras nem por isso.

Todos nós nos interessamos muito sobre tudo, mas ouvimos e lemos nem 10% do que seguimos.

Isso acontece porque, embora parte do conteúdo possa ser consumido e aprendido das contas/websites A ou B, a forma como a pessoa Y nos explica será sempre melhor.

Perdemos a conta à quantidade de mensagens e dúvidas que recebemos sobre as dificuldades de criar a linha editorial e plano de conteúdos.

Perdemos também a conta à quantidade de vezes em que os dois termos se confundem, apesar de significarem coisas diferentes.

A verdade é que se fala muito de conteúdo de valor, mas pouco sobre como ele se constrói.

Na Live #18, que foi transmitida no YouTube a 19/05/2021, falamos sobre a diferença entre linha editorial e plano de conteúdos e sobre como podes criar as tuas.

Linha editorial VS Plano de conteúdos

Se preferes consumir conteúdos em vídeo, faz scroll até ao fim da página. Tens lá a gravação da Live #18.

Criar a linha editorial e plano de conteúdos são duas tarefas distintas que devem andar de mãos dadas.

Sem linha editorial, o conteúdo não tem identidade.

Sem plano de conteúdos, a linha editorial é só um esqueleto ambulante, sem substância.

O que é linha editorial

criar linha editorial

A Priscila Zillo definie linha editorial de uma forma genial:

A linha editorial é o nosso perfume.

Priscila Zillo

Cada pessoa tem um cheiro próprio, um perfume que lhe está associado.

Que, quando passamos por alguém, emana e provoca na outra pessoa uma reação (seja ela mais positiva ou negativa).

A linha editorial é a nossa forma de emanar o nosso perfume, a nossa identidade.

Está relacionado com a forma como falamos, com o nosso branding profissional e pessoal, que atrai alguns e repele outros.

Se preferires olhar para isto de um ponto de vista diferente, tens aqui alguns exemplos:

  • A Telenovelas não tem a mesma linha editorial que a National Geographic. Mas são ambas revistas (fazem parte do mesmo “tema guarda-chuva”);
  • A PC Guia e PC Mag podem até ter linhas editoriais similares (mesmos temas), mas cada um deles tem a sua forma de escrever e abordar os temas;
  • A RTP1 e RTP2 também têm linhas editoriais diferentes.

Todos têm a sua forma de abordar assuntos, os seus nichos e subnichos.

A identidade da Bizy está relacionada com o facto de usarmos o Instagram, os stories, as lives de quarta-feira no YouTube, a facto de falarmos de storytelling e de publicidade nas redes sociais

Tudo isto são temas que os nossos seguidores e fãs relacionam connosco assim que alguém fala deles.

O que é o plano de conteúdos

criar plano de conteudos

O plano de conteúdos é, literalmente, tudo aquilo que publicas ou vais publicar, tendo em conta o teu tema, nicho, e linha editorial.

Dele fazem parte os teus stories, podcasts, artigos de blog, posts nas redes sociais

Fazer um plano de conteúdos é o que te permite manter uma comunicação consistente, de forma a que os algoritmos das demais redes trabalhem contigo, e para que a tua audiência também crie o hábito de te ver ativo.

Como criar a linha editorial e plano de conteúdos

Contra o que já ouvimos milhares de vezes, para começar a criar a linha editorial e plano de conteúdos tens de começar por ti.

Por perceber o que tu queres, quem tu és.

Para que depois também consigas dar o teu melhor para ajudar os outros.

No início, a Marisa tinha um medo terrível de dizer algo errado, de usar a camisola errada, de a luz estar errada quando fizesse uma reunião…

Mas essa pessoa não transparecia o que ela era.

E então começou a ignorar isso. Essas preocupações. E foi a partir desse momento que a identidade e linha editorial da Bizy foram mudando.

  • Nós passamos de chamar as pessoas de “você” para “tu”
  • Passamos de design mais quadrado para algo mais “let’s have fun!
  • Passamos de “feed bonito, organizado, azul e brando” para “bora meter aqui um vídeo ou uma foto pelo meio“.

A verdade é que passamos a vida a tentar fazer com que as coisas sejam previsíveis.

Tentamos fazer tudo por tudo para ter total controlo das coisas.

Mas é tão melhor e mais top quando as coisas simplesmente vão acontecendo!

Porque nós, humanos, somos imprevisíveis. E está tudo bem com isso.

Criar a linha editorial

Gostávamos de dizer que há uma fórmula A+B = C, mas não existe.

É algo que realmente parte muito de ti.

Mas há 4 aspetos que te podem ajudar.

Quem são as pessoas que segues? Como é que eles se comunicam?

Na verdade, já fazemos isto desde pequenos!

Primeiro, os nossos modelos foram os nossos pais ou irmãos mais velhos, e tentávamos copiar o que faziam porque queríamos ser como eles.

Atualmente, olhamos para mentores ou pessoas de autoridade para nos adaptarmos e aprendermos com quem já sabe mais.

A Marisa inspirou-se no Pedro Sobral para finalmente se soltar e aceitar que bastava ser ela mesma para ter sucesso.

Mas atenção!

Inspira-te. Não copies.

Que tipo de conteúdos te chamam à atenção?

No Instagram, preferes feeds bonitos e organizados?

Preferes um website mais pastel, ou com cores vivas?

Gostas mais de um podcast sem filtros ou algo mais calmo?

O tipo de conteúdos de que gostas vão ajudar-te a perceber o tipo de conteúdos que provavelmente também vais gostar de fazer pelos outros.

Como preferes comunicar?

Gostas mais de escrever ou falar?

De áudio ou vídeo?

Facebook ou LinkedIn?

Nós temos de estar onde a nossa persona está. Mas também temos de nos sentir confortáveis em estar lá.

Não pode ser tudo em função do cliente, e é aqui que definir a linha editorial te vai ajudar a criar também um plano de conteúdos em que tenhas gosto.

Qual é uma característica que te define?

No nosso caso, o gosto por Harry Potter e a comunicação crua e transparente é o que nos define.

Repara: temos algo mais pessoal e depois algo mais profissional a definir-nos.

É importante existir esta simbiose!

A Marisa, em particular, sempre foi uma pessoa que gostava de fazer as coisas à sua maneira, nem que fosse para testar.

Essa também é outra característica que a define, porque foi o que a trouxe à posição e autoridade que é hoje.

Criar o plano de conteúdos

Para criar um plano de conteúdos, mesmo não existindo uma fórmula a 100%, já existe uma espécie de plano de criação.

São 5 etapas que te ajudam a criar conteúdos infinitos para o teu negócio.

Infinitos, mesmo! Porque, como a música, não há limite para a quantidade de conteúdo que se pode criar (até brincamos com isto na live #18).

Etapa 1: definir objetivos

Quem já nos vai seguindo há algum tempo, sabe como definimos objetivos.

  • Temos o nosso macro (longo prazo, 1-2 anos);
  • O nosso menos macro (médio prazo, 3-6 meses);
  • O nosso micro (curto prazo, mensal-semanal).

Em determinados assuntos é preciso algum tempo para criar consciência do problema nas pessoas.

No caso do Storytelling, nós passamos mais de 2 meses a chamar a atenção das pessoas sobre o tema e sobre ter clareza.

Para isso, criamos artigos de blog, publicações no nosso Instagram e Facebook, falávamos do assunto nos stories, e fizemos algumas lives relacionadas com o tema.

A única forma para conseguir isso foi ter objetivos definidos.

Sabíamos que queríamos lançar a primeira mentoria em Storytelling da Bizy e, portanto, tínhamos primeiro de aumentar a consciência disso.

Sabíamos que o queríamos fazer entre Maio e Junho e isso deu-nos tempo para preparar conteúdos.

Para o resto do ano também temos o nosso conteúdo bem planeado.

Aliás, foi planeado quando fizemos o nosso plano de email marketing para 52 semanas.

Foi aí que definimos as temáticas de todo o ano de 2021, que nos está a ajudar a nivelar tudo o resto.

Etapa 2: Persona e pesquisa

Tens de conhecer a tua persona. Não há como evitar.

E vamos bater neste ponto tantas vezes quantas sejam necessárias.

Porque, para saber do que a audiência precisa, tens primeiro de saber quem é a audiência.

Definir a persona é um processo recorrente e que vais começando a aprimorar através de pesquisas.

Formulários google, pesquisas e sondagens nas redes sociais, email marketing…

Em 2021 já fizemos cerca de 4 pesquisas no Instagram ao longo de 5 meses que nos ajudaram a perceber em que nível de consciência a nossa audiência está, como foi evoluindo, e que mais podemos fazer por ela.

E colocamos todos os resultados numa folha excel para conseguir ir medindo os resultados e a evolução.

O email marketing também tem sido muito importante, maioritariamente para perceber que tipo de assuntos de email funcionam melhor, quais os que têm mais taxas de cliques, cancelamento de subscrição, etc.

A partir de todos estes pedaços de informação, começas a entender as maiores dúvidas. E, desse ponto, constróis o plano.

Etapa 3: Persona e pesquisa

Pegas no teu tema central (ou temas centrais) e retiras o máximo de perguntas daí.

Podes ter essas perguntas diretamente da audiência (pelas pesquisas e sondagens) ou das ferramentas gratuitas online que tens ao teu dispor:

Para ajudar, vamos incluir uma vertente mais prática nesta etapa 3 com o termo de pesquisa “Copywriting“.

Na ferramenta Answer the Public, escreves como termo de pesquisa “copywriting“, selecionas “Portugal” como país e “português” como língua e vais ter acesso a várias pesquisas que outras pessoas fazem:

AnswerThePublic Plano conteudos

Repetes o mesmo processo na ferramenta Ubersuggest, que vai ser um excelente complemento aos resultados que conseguiste na ferramenta anterior.

Para além disso, dá-nos logo um volume médio de pesquisas:

Ubersuggest plano de conteudos

O que tens, depois, de fazer é criar um Excel (ou outro tipo de documento) onde incluas todos os termos de pesquisa relevantes que encontrares com este exercício.

Nós temos um ficheiro Excel (este print é da nossa pesquisa sobre Storytelling):

plano de conteudos excel

Por fim, pegas numa das pesquisas e procuras por esse termo exato no Google para ver quais são os primeiros resultados que te aparecem.

Na Live #18 testamos com “copywriting como começar” e abrimos todos os artigos de blog para ver o que diziam, ler os comentários e entender, se podemos criar algo que seja ainda melhor que aqueles conteúdos.

Para, em seguida, passarmos à criação dos conteúdos propriamente ditos.

Etapa 4: Criar conteúdos

Assim que tenhas um leque de perguntas, fazes o conteúdo. Em vários formatos diferentes.

A pergunta “o que é copywriting” pode ser respondida em:

Redes sociais:

  • Imagem + legenda
  • Carrossel
  • IGTV ou vídeo em feed
  • Artigo no LinkedIn
  • Stories
  • Reels

Outros meios:

  • Artigo blog
  • Vídeo
  • Podcast

O que não falta são pessoas diferentes a consumir tipos de conteúdos diferentes.

E tu podes (deves) responder à mesma pergunta de formas diferentes.

Para tentar chegar a diferentes tipos de pessoas, em estados de consciência diferentes.

Etapa 5: Criar um calendário

Já tens conteúdos, agora é literalmente pôr isso num calendário e cumprir.

Podes usar um calendário impresso (é o que a Luciana usa para nós e para os nossos clientes, por exemplo), uma plataforma como Trello, Notion ou Asana, algo assim

Importante é ser organizado!

Para garantir que cumpres esse calendário.

Conclusão

Neste artigo, falamos da diferença entre a linha editorial e do plano de conteúdos, mas também da forma como ambos têm de estar interligados para que o conteúdo seja, de facto, de valor.

Os dois complementam-se e criam a tua identidade digital que se torna depois em autoridade.

Segue as 4 linhas orientadoras para criar a linha editorial e as 5 etapas para criar o plano de conteúdos e, a seu tempo, vais estar a criar o teu próprio espaço na internet.

Revê aqui a Live #18 da Bizy

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